Traduções · 04 de novembro de 2026

A realidade política menos discutida do nosso tempo

Adaptado da versão original em inglês. Ler o original · Publicado originalmente em 2 de novembro de 2026.

Trabalhadores avançam juntos em uma praça, com dois homens e uma mulher com uma criança à frente da multidão.
Giuseppe Pellizza da Volpedo, Il Quarto Stato, 1901. Coleções cívicas de Milão. Reprodução em domínio público, via Wikimedia Commons. Fonte da imagem

É isso. Há muito mais pessoas comuns sofrendo sob o sistema vigente de capitalismo, imperialismo, militarismo e autoritarismo do que pessoas se beneficiando dele, e podemos usar a força da nossa superioridade numérica para derrubar esse sistema quando decidirmos fazê-lo.

Isso é evidente por si só e tão simples que dá para resumir numa única frase. Mas, como nossa sociedade é tão profundamente doutrinada e submetida ao controle mental, isso simplesmente não aparece nas conversas normais do dia a dia que as pessoas têm sobre política e os problemas que enfrentamos como sociedade hoje.

Somos incentivados a discutir eleições e política partidária com grande vigor. Somos recompensados com maior alcance em grandes plataformas pertencentes a plutocratas se atiçarmos as chamas de temas divisivos da guerra cultural ou do comentário político partidário dominante. Mas aquilo pelo que jamais somos recompensados, e que jamais somos incentivados a discutir, é o fato de que os oligarcas e os gestores do império que governam nossa sociedade seriam completamente impotentes para impedir uma revolução popular de escala suficiente.

Poderíamos todos parar de trabalhar e de pagar pelas coisas. Poderíamos bloquear as estradas, as ferrovias e toda a infraestrutura. Poderíamos demolir todos os bancos, delegacias e prédios do governo. Poderíamos literalmente comer todos os bilionários.

Só hipoteticamente, sabe.

Poderíamos fazer qualquer coisa que quiséssemos. Ninguém poderia nos impedir.

Toda a política, a mídia e a educação convencionais são concebidas para desviar nossa atenção dessa realidade política, enquanto as pessoas que nos governam não param de pensar nela. Ela as assombra. Ela as consome. Ela as mantém acordadas à noite. Elas são obcecadas por ela.

É por isso que estão correndo para implementar robôs militarizados, drones autônomos e vigilância em massa baseada em IA.

É por isso que estão pressionando pela adoção de moedas digitais e identidades digitais facilmente controláveis.

É por isso que estão trabalhando para recentralizar o controle da informação e reverter a descentralização em larga escala trazida pela internet.

É por isso que vêm nos bombardeando com propaganda nos meios de comunicação de massa há gerações e desenvolvendo operações psicológicas em larga escala cada vez mais sofisticadas na era da IA e dos smartphones.

É por isso que somos ativamente conduzidos como um rebanho para dois partidos políticos dominantes, presos a um cabo de guerra perpétuo, para nos dar a ilusão de que estamos participando de uma ação política significativa.

É por isso que somos treinados desde a escola a acreditar que vivemos em democracias livres, nas quais as pessoas controlam as ações de seu governo por meio do voto.

É porque os ricos e poderosos estão o tempo todo plenamente cientes de que as massas podem se voltar contra eles a qualquer instante e precisam ser mantidas em um estado perpétuo de manipulação e distração para impedir que isso aconteça.

Sei lá, cara. Parece meio insustentável, se você quer saber. Especialmente considerando o quanto as pessoas estão ficando descontentes à medida que o império capitalista tropeça nas próprias contradições e fica sem argumentos para continuar existindo.

Estamos dentro de uma gaiola que nem sequer está trancada. A porta nem está fechada. A única coisa que nos mantém aqui é a voz gravada do diretor do presídio nos dizendo “NÃO HÁ SAÍDA” sem parar, repetidamente.

Um bardo ergue o braço sobre um penhasco, diante de um castelo, montanhas e um rio, com uma coluna de soldados abaixo.
John Martin, The Bard, c. 1817. Yale Center for British Art, Paul Mellon Collection. Reprodução em domínio público, via Wikimedia Commons/Google Art Project. Fonte da imagem

Um dia, nosso olhar vai se voltar para aquela porta. E vamos sair por ela. E seremos livres.

Para acompanhar a leitura

Vida de Inseto

Cena de Vida de Inseto (A Bug’s Life), também vinculada no artigo original.